Quem são os ativistas mais temidos do regime de Pequim

O ativista e professor universitário chinês Liu Xiaobo, herói da Praça da Paz Celestial Prêmio Nobel da Paz em 2010, morreu na última quinta-feira (13) por câncer no fígado. Em 2009, o ativista autor da “Carta 08”, um texto que defendia a democracia na China, tinha sido condenado a 11 anos de prisão, acusado de “subversão” após reivindicar reformas no país.

Mesmo perdendo um grande defensor dos direitos humanos, na China ainda há uma importante comunidade de dissidentes e ativistas que lutam contra o regime comunista em defesa das liberdades individuais e dos direitos civis. São artistas, blogueiros, escritores, advogados, intelectuais e até adolescentes que decidiram travar uma batalha contra o governo chinês em nome de seus ideais. Veja quem são eles:

Ai Weiwei

O artista chinês Ai Weiwei (Foto: France Presse)

O artista chinês Ai Weiwei (Foto: France Presse)

Nascido em Pequim em 1957, é o artista chinês mais famoso. Arquiteto, desenhista e blogueiro, baseia cada vez mais suas obras na temática da luta contra a corrupção e a censura do governo. Em 1981 ele se mudou para os Estados Unidos para voltar na China somente 12 anos mais tarde. Em seu país ele projetou com os arquitetos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron o famoso Estádio Olímpico de Pequim, conhecido como “Ninho de Pássaro”, símbolo dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008.

Após as Olimpíadas, no entanto, ele criticou o governo chinês acusando-o de ter usado os Jogos somente como um instrumento de propaganda. Weiwei declarou esperar que as Olimpíadas pudessem ser uma oportunidade para a abertura do país ao mundo.

O artista está entre os signatários de Charta08, um manifesto para a reforma democrática na China patrocinado pelo dissidente Liu Xiaobo. Ele denunciou o escândalo dos edifícios que desabaram durante o terremoto em Sichuan de 2008 por causa de materiais de má qualidade utilizados para a construção. Submetido a prisão domiciliar em novembro de 2010, no dia 3 de abril de 2011 ele foi preso no aeroporto de Pequim, acusado de cometer crimes financeiros. Foi liberado após 81 dias de prisão, mas somente em 2015 recebeu seu passaporte. Hoje vive em Berlim, na Alemanha.

Zeng Jinyan

Zeng Jinyan (Foto: ReproduçãoTwitter/@zengjinyan)

Zeng Jinyan (Foto: ReproduçãoTwitter/@zengjinyan)

Eleita pela influente revista norte-americana “Time” como uma das pessoas mais influentes de 2007, ela é uma ativista e blogueira, esposa do dissidente Hu Jia. Zeng tornou-se conhecida por um blog, criado após a primeira prisão de seu marido em 2006 e em seguida cancelado pelas autoridades chinesas.

Hu Jia contou os detalhes de sua vida sob constante vigilância e sob pressão da polícia. Ela fugiu em Hong Kong em 2012.

Hu Jia

Hu Jia (Foto: ReproduçãoTwitter/@hu_jia)

Hu Jia (Foto: ReproduçãoTwitter/@hu_jia)

É um dos ativistas políticos mais conhecidos da China. Quando tinha 15 anos de idade, participou dos protestos na Praça da Paz Celestial (Tiananmen). Trabalhou para a ONGs de defesa do meio ambiente. Foi preso no dia 27 de dezembro de 2007, junto com sua mulher Zeng Jinyan. Segundo a ONG Anistia Internacional, as prisões foram parte da campanha de repressão que o governo chinês levou adiante contra os ativitas de direitos humanos antes dos Jogos Olímpicos de 2008. No momento da sua detenção, Hu Jia estava com hepatite grave. No dia 3 de abril de 2008 foi condenado a três anos e meio de cárcere por “incitação à subversão”. Em 23 de outubro de 2008 o Parlamento Europeu atribuiu-lhe o prestigiado Prêmio Sakharov de direitos humanos.

Albert Ho

Albert Ho (no centro da foto) (Foto: France Presse)

Albert Ho (no centro da foto) (Foto: France Presse)

Advogado e político de Hong Kong, Albert Ho é o presidente da Aliança de Hong Kong em Apoio aos Movimentos Democráticos Patrióticos na China, ex-presidente do Partido Democrata de 2006 a 2012 e ex-membro do Conselho Legislativo de Hong Kong.

No dia 20 de agosto de 2006, Ho foi atacado por três homens mascarados em um McDonalds em Hong Kong, logo após participar de protestos contra o governo. Ele ajudou Edward Snowden durante sua estadia em Hong Kong em 2013.

Chen Guangcheng

Chen Guangcheng (Foto: France Presse)

Chen Guangcheng (Foto: France Presse)

Cego desde muito jovem, esse ativista para os direitos humanos e advogado autodidata tornou-se conhecido por denunciar o lado escuro de políticas de planejamento familiar da China, muitas vezes envolvendo alegações de violência e abortos forçados. Ele também trabalha em questões de direitos humanos em áreas rurais. Preso entre 2006 e 2010, foi em seguida condenado a prisão domiciliar.

Em abril de 2012 conseguiu fugir e pediu asilo político na embaixada americana em Pequim. Após longas negociações, ele e sua família obtiveram um visto de estudantes e o governo chinês autorizou sua partida para os Estados Unidos.

Wang Dan

Wang Dan (Foto: Reprodução/Twitter/@wangdan1989)

Wang Dan (Foto: Reprodução/Twitter/@wangdan1989)

Líder do movimento da democracia chinesa, quando era um calouro na Universidade de Pequim, Wang estava entre os líderes estudantis mais famosos dos protestos na Praça da Paz Celestial (Tiananmen).

Preso por sete anos foi então enviado para os Estados Unidos, onde obteve um doutorado em História em Harvard. Ele é muito ativo na promoção da democracia na China, viajando pelo mundo para obter apoio das comunidades chinesas no exterior, assim como da opinião pública em geral.

Li Heping

Li Heping (Foto: Reprodução/Twitter/@wangdan1989)

Li Heping (Foto: Reprodução/Twitter/@wangdan1989)

Advogado de direitos civis na China, Li Heping declarou certa vez que a China o considera “mais perigoso do que Osama bin Laden.” Ativo desde os anos 1990, ele defendeu fiéis cristãos clandestinos, praticantes de Falun Gong, escritores dissidentes e vítimas de despejos forçados, entre outros. Em maio de 2017, Li foi novamente condenado a três anos de prisão.

A primeira vez que Li foi preso durante uma operação contra ativistas e advogados de direitos humanos foi em julho de 2015.

Zhao Changqing

Zhao Changqing (Foto: Reprodução/Twitter/@zhaochangqing89)

Zhao Changqing (Foto: Reprodução/Twitter/@zhaochangqing89)

Professor de história e ativista político de 48 anos, desde a época dos protestos na Praça da Paz Celestial (Tiananmen) se tornou um dos principais defensores dos direitos humanos na China. Como ex-líder estudantil e, segundo a Anistia Internacional, “prisioneiro de consciência”, ele foi preso cinco vezes nos últimos 28 anos.

Zhao faz parte do “Movimento dos novos cidadãos”, grupo que luta contra a corrupção entre os funcionários públicos chineses. Junto a outros ativistas, Zhao foi alvo de prisões de massa por parte das autoridades chinesas em 2013. Em 2014, foi novamente condenado a dois anos e meio de prisão. Foi liberado sob estreita vigilância policial, em julho de 2016. Junto com sua esposa, que estava grávida, e seu filho de quatro anos, pediu asilo nos Estados Unidos.

Ran Yunfei

Ran Yunfei (Foto: Reprodução/Twitter/@ranyunfei)

Ran Yunfei (Foto: Reprodução/Twitter/@ranyunfei)

Ran escreve literatura clássica chinesa na “Sichuan Literature”, revista financiada pelo governo de Pequim, mas foram seus textos em seu blog e no Twitter que o colocaram em apuros. Em 2011, Ran foi preso por escrever que a China precisava de reformas para não acabar se tornando como as ditaduras norte-africanas.

Após ser liberado, ele permaneceu sob estreita vigilância por parte do governo. Em 2015, ele escreveu em seu blog que tinha se convertido ao cristianismo.

Gao Zhisheng

Gao Zhisheng,, na esquerda (Foto: Reprodução/Twitter/@GaoZhisheng)

Gao Zhisheng,, na esquerda (Foto: Reprodução/Twitter/@GaoZhisheng)

Gao Zhisheng é um advogado e ativista de direitos humanos que luta em defesa das minorias religiosas. Cristão, Gao foi preso várias vezes antes de desaparecer em 2010. Em 2012, seus pais puderam visitá-lo pela primeira vez na prisão.

Antes de começar a luta contra as autoridades, Gao havia sido nomeado entre os 10 primeiros advogados do país pelo Ministério da Justiça da China. Entretanto, em virtude do seu trabalho em defesa dos direitos humanos, sua autorização para advogar foi suspensa pelo governo chinês. Gao foi indicado várias vezes para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz. Sua família pediu asilo nos EUA em 2009.

Guo Quan

Guo Quan (Foto: Reprodução/Twitter/@guoquan)

Guo Quan (Foto: Reprodução/Twitter/@guoquan)

Ativista de direitos humanos, fundador do Partido da Nova Democracia da China, Guo era professor associado na Universidade de Nanjing em Jiangsu antes que as autoridades chinesas lhe proibissem de ensinar por causa de seu ativismo político.

As cartas abertas de Guo ao presidente Hu Jintao exigindo eleições multipartidárias e a despolitização do Exército de Libertação do Povo obtiveram uma grande repercussão na internet. Desde então, a polícia informática chinesa começou a fechar os blogs que publicaram seus textos. Em 2011, Guo foi condenado a 11 anos de prisão.

Joshua Wong

Joshua Wong (Foto: Reprodução/Twitter/@joshuawongcf ‏)

Joshua Wong (Foto: Reprodução/Twitter/@joshuawongcf ‏)

Estudante universitário, se tornou um dos nomes mais conhecidos da “Revolução dos Guarda-chuvas”, a série de manifestações pró-democráticas de Hong Kong de 2014. Em 2016 foi declarado culpado por um tribunal chinês por seu papel em um protesto anterior a este movimento.

Foi preso novamente no dia 28 de junho de 2017 junto a outros manifestantes pró-democracia durante um protesto a favor do sufrágio universal e da liberdade de Liu Xiaobo.

fonte: G1